Do twitter do Luli:
” ‘a tecnologia é uma espécie de magia que o cérebro humano não cria’. Confesso que achava exatamente o contrário”
A Tecnologia
Assistindo o Prêmio Multishow nesta terça, acabei tendo um estalo. Disponível (para os poucos já devidamente aparelhados) em HD, a tal high definition, a transmissão foi um show de falhas de áudio e vídeo, o que me levou à inevitável pergunta: para que tanta tecnologia se não se sabe como utilizá-la? De que nos serve a high, se não dominamos sequer a normal? Os mais ranzinzas diriam “nem a low”.
Façamos uma mea culpa: quem aqui sabe realmente o que é 3G, consegue configurar um roteador ou uma rede sem fio, sabe a diferença entre POP3 e IMAP, consegue usar o twitter pelo celular, faz compra online sem receio ou usa o pay-per-view com desenvoltura?
É muito legal reclamar que o Brasil é um atraso total e exigir tecnologia de ponta, mas normalmente nos esquecemos de que aqui no nosso país falta gente qualificada que domine todos os certificados e protocolos que essa modernidade envolve. Imagine o carro tecnológico dos seus sonhos; agora imagine-se parado, no meio da rua, porque uma má configuração o travou.

Olivetti, o primeiro netbook! Não tem tela, mas a impressora vem acoplada e o sistema operacional nunca trava! Tecnologia que todos dominam.
Toda essa conversa, claro, não tem o objetivo de tirar das empresas a responsabilidade pelas carroças e velharias que desovam a valores altíssimos no nosso país. Com a desculpa do tal valor “risco Brasil”, somos recordistas em várias modalidades de serviços, de spread bancário a mensagem sms.
Isso, claro, é cômodo para as empresas, que assim não precisam investir. E não investem. O que nos leva ao próximo assunto.
A Segurança
Eu falei que as empresas não querem investir, correto? E uma das áreas mais ignoradas dentro da tecnologia é a segurança. Não a segurança física, aquela que impede assaltos, atentados e acidentes, embora esta também seja bem negligenciada, mas refiro-me à segurança da informação.
Esta semana, o autoproclamado hacker Vinicius Camacho, 28 anos, conhecido como K-Max ou ainda @viniciuskmax, teve sua casa visitada por agentes federais, que confiscaram 3 computadores de mesa e 2 notebooks para averiguação e busca de provas. Provas de quê? Há poucos mais de um mês, Vinicius descobriu uma falha no banco de dados do site da Telefonica; a falha em questão permitiu que o hábil programador, que se intitula fuçador, descobrisse dados pessoais –nome, telefone, CPF– de clientes da operadora e os disponibilizasse em um site. Os dados ficaram disponíveis durante cerca um mês; em seguida, K-Max procurou um jornalista, a história foi publicada, a empresa ficou sabendo e tomou as vias jurídicas.
A história começou a ferver hoje na nerdo e twittosfera, com entrevista no site da revista Época, artigo no IDG Now! e tags como #freekmax bombando.
A maioria dos tweets era claramente favorável ao hacker, muitas vezes tentando validar o argumento com comparações absurdas.
Alguém twitou que se Kmax for condenado, José Sarney também tem que ir para a cadeia. Oras, mas nesse caso uma coisa não tem nada a ver com outra. Kmax explorou uma brecha e a tornou pública, já Sarney é a brecha! Por analogia, seria o mesmo que exigir que o site que explora a falha da Telefoca fosse preso.
Particularmente, não acho que K-Max tenha sido assim tão ético como afirma, uma vez que revelou, sim, dados particulares e, teoricamente, sigilosos. Isso foi, se não condenável (moralmente, não judicialmente, don’t get me wrong!), no mínimo discutível.
Entendo, por outro lado, que seria inútil tentar entrar em contato com a empresa –quem nunca ligou para a Telefofonica e se imaginou numa sitcom que se pronuncie.
Num certo momento da entrevista para o site de Época, K-Max é lembrado que, em outros países, hacker que descobrem falhas de seguranças muitas vezes são contratados para cuidar da segurança. Perguntado se a Telefonica entrou em contato nesse sentido, K-Max nega, informando que a empresa preferiu tentar abafar o caso.
Bem sintomático.