Mais uma atualização digitada direto do forno, digo, do celular. Segundona, Montag (embora aqui eles digam ‘mondag’. Em Berlim é algo mais próximo de ‘montak’), neva para quase mais de metro. Os jornais mostram fotos de berlinesas já adultas brincando feito criancinhas com trenós na neve. A expectativa era de piora no tempo (ou seja, a neve, pelas previsões iniciais, iria embora). Agora parece que teremos um clima muito mais interessante e com ainda mais neve! Ontem e anteontem nevou praticamente apenas durante a madrugada, de modo que foi possível esquiar e brincar com os trenós aqui na vizinhança mesmo. Já hoje a coisa está um pouco mais séria e eu posterguei o meu passeio para logo depois deste texto. Fiquei um bom tempo só olhando pela janela, vendo a neve cair. Só faltaram os bolinhos de chuva (ou de neve, né?).
Nos jornais, duas coisas chamaram a minha atenção. Era uma vez um país –a Áustria– que tinha dois campeões na equipe de salto com esqui; um mundial, um olímpico. Porém, devido à rivalidade, os dois não se falavam, e a medalha de ouro na competição de maior prestígio depois das oficiais — chamada Vierchanzenturnier — acabou indo para um atleta de outro país –a Finlândia.
O que fizeram os austriacos? Contrataram um professor de teatro especializado em improviso. A ideia era fazer os atletas se soltarem mais e criar um ambiente de bom-humor entre os membros da equipe. Tratando os problemas de interrelacionamento, e as rivalidades, com bom-humor não haveria espaço para discórdia. Ideia parecida teve meu guru Paul Arden: deixe nossos melhores humoristas –Sasha Baron Cohen, Larry David, Will Farrell, Marcelo Adnet (ops!)– discutirem os termos de uma guerra; o bom-humor, e a inteligência, deles não permitirá que o assunto siga adiante, porquanto absurdo.
O resultado? Jonathan Briefs, autoproclamado ‘humor-behalter’ oficial, afirmou já existir, após cerca de um ano de trabalho, além de piadas internas, também incentivos bem-humorados entre os atletas antes do momento de cada salto.
(Se você se preocupa mais com o resultado esportivo, sem problemas: a Áustria faturou tudo e mais um pouco. Até a equipe alemã, outrora hegemônica, trouxe um austriaco para treinar seus skiläufern)
A segunda coisa a me chamar a atenção aqui nos jornais foi a tendência em encarar a netz (a internet deles) com desdém e até mesmo com um certo pedantismo. Linhas e mais linhas são escritas e impressas com reportagens e colunas clamando por maior rigor no controle do que as crianças veem quando surfam, nos perigos de não se manter a privacidade offline na vida online e até mesmo animadas discussões sobre como a netz mudou nosso jeito de pensar.
Claro que eles dão maior ênfase às opiniões, digamos, antinetz. Algumas são bem interessantes, ao contrário do que tenho observado em tweets de seminotáveis (semicelebridades?) do Brasil. Vocês também não acham que é o fim do mundo uma pessoa ir falar mal ou reclamar da internet no… twitter?
Isso me leva à conclusão de que a internet muda o modo como fazemos as coisas, mas não muda exatamente como pensamos ou o que fazemos.
Está na hora do meu passeio. Tchü-üß!
Tags: esqui, net, Neve, vierchanzenturnier